Obras

Passeio Marítimo da Praia Formosa à Ribeira dos Socorridos

2022/2023

O passeio marítimo entre a Praia Formosa e a Ribeira dos Socorridos, no Funchal, foi construída em 2005/2006 com o objetivo de oferecer uma via pedonal lúdica, que oferece aos habitantes locais e ao largo número de turista que por ali passam diariamente belíssimas vistas da orla costeira madeirense.

A estrutura do passeio marítimo desenrola-se sob escarpas, sobre a praia, junto ao mar, em tabuleiros isostáticos de laje com vigas longitudinais pré-esforçadas apoiadas em consolas no topo de pilares, em tramos retos como em tramos curvos. Existem 4 trechos destes tramos, intercalados por plataformas de estadia apoiadas em muros de betão armado com acessos para estadia no calhau.

Objetivo da intervenção

A primeira inspeção para inspeção de anomalias foi feira pelo Laboratório Regional de Engenharia Civil em 2021, em que a estrutura tinha pouco mais de 15 anos. Seguiram-se outras duas inspeções, em 2022 e em 2024, em que se registaram ritmos acelerados de degradação do estado de conservação da estrutura, havendo tramos classificados como alarmantes.

A deterioração da estrutura foi atribuída a concentrações elevadas de cloretos devido à exposição agressiva a ambientes marítimos, dada a proximidade e baixa cota dos tabuleiros, que os coloca em zona de molhagem/secagem e em zona de respingo por ação da maré e da ondulação. Existe a probabilidade de os materiais de construção usados terem proveniência do mar, contribuindo para a concentração de cloretos na estrutura.

O passeio marítimo tem troços em que está exposto a ações hidrodinâmicas significativas, evidenciado por graus de abrasão elevados em alguns plintos e sapatas, não havendo clareza sobre se essas ações foram consideradas no dimensionamento original da estrutura.

Etapas e técnicas de intervenção

A reabilitação do passeio marítimo foi desenvolvida sequencialmente, nos vários tabuleiros escolhidos pelo grau de emergência para a intervenção, conforme definido pelo LREC, com os seguintes trabalhos:

  1. Escavação para descobrir a altura completa de pilares e plintos até às sapatas;
  2. Reparação das sapatas com reposição de armaduras e betonagem com microbetão;
  3. Reforço da secção de plintos e pilares com nova armadura, com recobrimento interior e exterior com betão projetado com equipamento de baixo débito e câmara dupla;
  4. Injeção dos pilares com caldas cimentícias com retração compensada para consolidação de toda a seção dos plintos e pilares;
  5. Reforço da secção da laje e vigas com nova armadura, com recobrimento interior e exterior com betão projetado por via seca com equipamento de baixo débito e câmara dupla;
  6. Construção de novas consolas pré-esforçadas para transferência da carga dos tabuleiros para novos aparelhos de apoio;
  7. Proteção de toda a estrutura com revestimento cimentício impermeabilizante;
  8. Proteção contra a carbonatação e penetração de cloretos por pintura das superfícies sujeitas à maré com tinta de base epóxi;
  9. Proteção contra a carbonatação e penetração de cloretos por pintura das superfícies não sujeitas à ação da maré com tinta acrílica;
  10. Montagem de novas peças anti-levantamento dos tabuleiros.
 

Técnicas utilizadas

A principal técnica utilizada na empreitada foi o reforço estrutural com betão projetado por via seca com equipamento de baixo débito e câmara dupla, que oferece um betão de muito elevada resistência e, no que respeita ao contexto patológico desta estrutura, de muito elevada compacidade, o que conduz a durabilidades acrescidas da estrutura.
 

Resultados

Os troços do passeio marítimo agora reforçados cumprem, terminada a intervenção, os pressupostos do projeto original para a segurança estrutural e gozam de proteção acrescida contra o ambiente marítimo agressivo a que estão expostos.

Outros dados relevantes

Os trabalhos de reabilitação da estrutura foram integralmente realizados a maré e durante o período de inverno. As condições frequentemente adversas de agitação marítima obrigaram a paragens e a repetições sucessivas de trabalhos, nomeadamente, de descoberta de pilares e sapatas, uma vez que a ação das ondas não se restringe apenas a água do mar e traz muito material leve e pesado de volta para a praia e contra a estrutura.

FICHA TÉCNICA

LOCAL: Passeio Marítimo entre a Praia Formosa e a Ribeira dos Socorridos, Trechos 2 e 3, Funchal

CLIENTE: Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento, S.A.

DONO DA OBRA: Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento, S.A.

ESTRUTURA: EngiGeo – Engenharia Geotécnica, Lda.

FISCALIZAÇÃO: Plengil – Soluções de Engenharia e Gestão, Lda.

DIRETOR DE OBRA: Eng.ª Cristina Lourenço

DIRETOR TÉCNICO: Eng.º José Paulo Costa

VALOR: € 915 700,00

PRAZO DE EXECUÇÃO: 240 dias