Obras

Silo da Sociedade Açoreana de Sabões

Açores

Reabilitação de estrutura de betão armado do silo de matérias primas

2000

O silo, com uma estrutura em betão armado concluída em 1980 pelo método da cofragem deslizante, é constituído por uma torre de equipamento com 62 metros de altura e por uma bateria de 12 células cilíndricas, com diâmetro de 6,5 metros e altura de 50 metros. A estrutura, originalmente de betão à vista com uma superfície total exterior exposta de 6.000 m2, situa-se a cerca de 50 metros do mar, sujeita a uma exposição constante à névoa salina de um clima húmido e por vezes quente com ventos fortes.

A reabilitação de estruturas de betão armado com vista à durabilidade levanta à partida uma série de dúvidas quanto ao desempenho das soluções adotadas. No caso particular do “patch work” é, sem dúvida, necessário ter em conta o efeito da intervenção nas zonas não reparadas e nas zonas de fronteira. No caso da reabilitação estrutural do silo nos Açores, foi adotada uma estratégia múltipla para minimizar os efeitos negativos da reparação localizada com vista à maior durabilidade.

Etapas e técnicas utilizadas

A obra foi precedida de um diagnóstico exaustivo e foi instalado um sistema de monitorização da corrosão, de forma a verificar ao longo do tempo a eficácia da solução.

Do estudo efetuado foi possível estabelecer o modelo de deterioração do silo. A degradação por corrosão das armaduras deveu-se à ação conjunta da despassivação por carbonatação e teor elevado de cloretos no betão de recobrimento exterior. Na face interior das células o teor de cloretos é baixo e a humidade é baixa, pelo que o risco de corrosão é muito menor.

A intervenção de reabilitação desenvolveu-se essencialmente durante o ano de 1999 e consistiu nos seguintes trabalhos:

  • Reparação das zonas corroídas da estrutura (30% da área total), através da substituição de uma espessura média de 8 centímetros do betão exterior por microbetão estrutural aplicado por projeção;

  • Aplicação de inibidores de corrosão migratórios e pintura total da estrutura com tinta acrílica resistente à penetração de cloretos e à difusão do dióxido de carbono.


Resultados

Os resultados da estratégia múltipla com vista à durabilidade adotada na intervenção no silo estão a ser monitorados após a reabilitação aqui descrita. O sistema de monitorização da corrosão é composto por sensores embebidos no betão, em zonas de betão reparado e em zonas de betão não substituído, com aquisição automática de dados.

Os dados recolhidos pelo sistema permitem concluir o seguinte:

• Os valores de resistência elétrica medidos no betão de reparação são elevados, dificultando assim os fenómenos da progressão da corrosão e dos agentes agressivos;

• Os valores das correntes galvânicas monitorados nas zonas com substituição de betão são muito baixos, indicando a inexistência de corrosão (repassivação das armaduras);

• Nas zonas em que não houve a substituição de betão os valores das correntes galvânicas monitorados baixaram, o que pode ser indicativo de uma redução da velocidade de corrosão (efeito da pintura e dos inibidores de corrosão).

FICHA TÉCNICA

LOCAL: Lagoa – São Miguel / Açores

CLIENTE: Sociedade Açoreana de Sabões, S.A.

DONO DA OBRA: Sociedade Açoreana de Sabões, S.A.

ESTUDO DE PATOLOGIAS: Oz, Ld.ª

PROJETO DE REABILITAÇÃO: Grid, Ld.ª

FISCALIZAÇÃO: Eng.º Mota Amaral

DIRETOR DA OBRA: Eng.º José Paulo Costa

VALOR: € 920 047,69

PRAZO DE EXECUÇÃO: 15 meses